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Entrevista Sovolei, a ...
Joaquim Vilela, o rosto da AVP
Foto:Sovolei
No mês em que a AV Porto, celebra 70 anos sobre a data da sua fundação, estivemos à conversa com Joaquim Vilela, o seu presidente à mais de 34 anos, por quem já passaram gerações de dirigentes e de atletas e pioneiro na implementação do
minivolei em Portugal.
Quisemos conhecer um pouco mais da sua história, que é também a história mais recente da própria AVP, o que pensa sobre a realidade actual da modalidade e as expectativas para o futuro. Sempre estive ligado ao desporto, fui um dos fundadores do grupo desportivo do Banco Borges & Irmã, tanto eu como a minha mulher jogamos voleibol, mas ela mais do que eu, e quando as nossas filhas começaram a crescer e praticar desporto, começaram a jogar voleibol, duas delas, a outra fez atletismo. Por tal motino acompanhava-as aos vários sítios e o Sr. Simões e a D. Beatriz, que eram presidente e vice-presidente, pediram-nos para vir para a Associação. Viemos e passados 4 anos eu e aminha mulher assumimos a direcção. Nós morávamos aqui perto, na Av, da Boavista e todos os dias vinha do Banco e passava por aqui, tinha cá o Senhor Osório a gerir e dediquei-me demasiado a isto. Mas os 77 anos de idade já pesam e estou a pensar em parar. Paro com tristeza e com pena, mas o mundo tem de continuar não somos eternos, Agora o que eu noto é qua há uma falta muito grande de dirigentes. Eu tenho uma direcção de 9 pessoas e só reúne de 15 em 15 dias, normalmente vêm 5 pessoas. Há uma falta muito grande de dirigismo e se conseguimos fazer alguma coisa aqui na Associação, foi porque me dediquei de alma e coração a isto e depois de me ter aposentado à 16/18 anos, trabalho ainda. Mas gosto disto. Criei muitas amizades entre a mocidade e em qualquer sítio do país aparece sempre alguém que conhecido e isso é interessante. Acompanhamos muito a formação, eu da parte masculina e a Maria Helena da parte feminina, em que sentimos prazer e achamos que fizemos algumas coisas boas e as entidades oficiais já reconheceram isso, a Federação, outras associações. O minivolei será assim como a jóia da coroa… Este ano já estamos com 1600 miúdos inscritos que é uma coisa espectacular. E que passa completamente despercebido na comunicação social…
Dantes, o Notícias (Jornal de Notícias, n.d.r), o Janeiro (1º de Janeiro, n.d.r), o Comércio (Comercio do Porto, n.d.r.) publicavam páginas inteiras de voleibol e inclusive publicavam os resultados dos nossos torneios de minivolei, dos torneios que organizava-mos! Nós temos os atletas em acção desde Outubro até fim de Junho, ocupamos todos os espaços com torneios. Os clubes reconhecem isso mas ao mesmo tempo desinteressam-se um bocado pelo trabalho da Associação. Eu chamo a atenção para isso mas eles dizem que está tudo a correr bem e por isso nem vêm aqui discutir o que se faz ou não se faz. Mas não está bem. Mas tentamos efectivamente fazer um trabalho que seja bom para a modalidade. A Associação tem ainda os Centros de Formação.. Temos os centros de formação a trabalhar, que são patrocinados pela FPV, não podia ser doutra maneira, em que trabalhamos de Setembro a Junho com masculino e feminino. Trabalhamos 2 anos e depois entra outro grupo e normalmente são depois aproveitados para as selecções nacionais. Dantes tínhamos uma actividade internacional muito grande. A FPV não trabalhava a formação e eram as associações que o faziam, e além dos centros tínhamos selecções com treinos todos os sábados ou domingos. Nessa altura ganhamos muitos torneios em que entramos. Tínhamos também as selecções de seniores masculino e feminino. Fale-nos sobre os Torneio internacionais… Começamos o Torneio Internacional na Páscoa em 82 e foi uma aventura. Ninguém acreditava que ia para a frente com aquilo, que não havia dinheiro. Fui e ganhei dinheiro (risos) por isso e fiz 13 anos o torneio e deixei de fazer porque havia a Spring Cup e coincidia com a datas do nosso torneio e deixamos de fazer. Embora tivéssemos as selecções de formação de iniciados, juvenis e juniores, mas deixamos de as fazer porque não há atletas!. Ainda era habitual irmos aos torneio de Stau, mas ao fim de 4 anos deixamos de ir, era um torneio feminino, porque não havia raparigas que quisessem ir Com a modalidade a crescer em número de praticantes isso é um contra-senso… O trabalho de selecções da federação leva as melhores e antes querem ir para a selecção nacional, e sujeitam-se a tudo e mais alguma coisa, embora agora já esteja a andar em sentido contrário, e não temos selecção sénior feminino. E a selecção masculina se não tomam a iniciativa de fazer uma renovação e de pegar nos mais novos e pô-los a jogar. Nós temos imensos jogadores a jogar no estrangeiro e os jogadores da selecção que estão no País, parte deles estão no banco, sem jogar. Mas este ano já se note um maior número de atletas portugueses, até porque as dificuldades financeiras impedem de contratar estrangeiros… Sim……. Se fossem de grande gabarito, mas ficam mais baratos do que contratar os portugueses. O Esmoriz por exemplo, acabou com a equipa sénior feminino porque à 5/6 anos as raparigas que nem eram titulares chegavam a pedir mais dinheiro que os rapazes da equipa sénior na 1ª divisão! Agora voltaram, com malta dali……. Esse é que é o meu voleibol! A modalidade sem lucro, com espírito de desporto e de viver encontros quentes entre os clubes. Às vezes até com jogos muito engraçados tanto de rapazes como de raparigas. Havia um clubismo muito forte e com jogadores da própria cidade, o Espinho não tinha jogadores do Porto. O Porto era o porto, o Leixões era o Leixões, com grande rivalidade. Naquele pavilhão Siza Vieira assisti a coisas maravilhosas, e era tudo voluntário, agora anda tudo atrás do dinheiro. Não está muito confiante no futuro… Não, não estou. Vejo que há demasiados interesses monetários, e em qualquer modalidade, e desvirtua o deporto. As modalidades amadoras vão ter dificuldade em sobreviver, até porque os dirigentes dos clubes, uma grande parte, não sabe administrar um clube, pensam que vão ter eternamente subsídios das Câmaras e as Câmaras por sua não lhes entregam o dinheiro. Normalmente quem estava á frente dos clubes eram pessoas com capacidade financeira e que podiam dispor de dinheiro para colmatar falhas, agora não, agora até chego a pensar que as pessoas querem esses lugares para se promoverem. Quanto à associação, cresceu, cresceu, quando vim para cá tinha mil e tal atletas e na época passada fechamos com 23.000, tenho uma boa equipa de trabalho com o Prof. Luís Miguel como Director Técnico Regional. Nestes anos, qual o momento mais forte que tem na memória? Tive um dia maravilhoso quando o Espinho ganhou a “Final 4” na Turquia. Foi na verdade uma coisa estupenda foi um dos pontos altos do voleibol português, embora tenha de destacar os nosso Torneio Internacional em que tive 6 selecções masculinas e 6 femininas ali no Colégio dos Carvalhos. Ficavam alojados lá e no centro de estágio da Casa do Desporto no Porto e tive aqui grandes selecções nacionais. Coisa que a Federação nunca tinha conseguido fazer e nunca tive prejuízo com o que fiz. Administro como uma empresa, mas cada vez é mais difícil. Essas dificuldades também se reflectem nestes 70 anos, sem qualquer tipo de comemoração… Não tenho hipótese gostava de fazer uma coisa interessante mas não tenho hipóteses. Nos 65 anos ainda fiz um torneio com as selecções de Lisboa, de Marrocos e da Argélia. Nos 50 anos fiz uma grande festa no último dos Torneios Internacionais, no Pavilhão Rosa da Mota, em que a Associação foi condecorada com a medalha de mérito desportivo pelo governo. A Lei de Bases do Desporto veio alterar as relações das Associações Regionais com as Federações… Eu considero esta Lei de Bases um verdadeiro aborto. Ela foi feita para o futebol para a federação tomar conta do futebol e por fim quem sofreu foram as associações das modalidades amadores. Eles quiseram tirar a força das associações de futebol. Não posso admitir que nós, que temos 62% do voleibol nacional temos 4 votos. Eu penso que a própria Federação não concorda porque os votos são demasiado dispersos. Acho que todas as modalidades devem ter os alicerces em 2/3 nas associações que lhes possa dar cobertura. Isso dantes acontecia porque tinha, e tenho, um bom relacionamento com o Vicente Araújo. Ele foi o meu Director Técnico Regional aqui, e sempre colaborei, embora discorde dele em muitas coisas e às vezes discutimos. Mas temos de discutir não sou um “yes man” A própria federação deixou de ter força nos projectos que apresenta na Assembleia Geral, enquanto dantes, nós e Lisboa em conversa discutíamos e no fim “ sim senhor, nós votamos a favor” havia discussão, mas agora vamos para uma Assembleia Geral e não sabemos o que se vai passar. Há também a representatividade dos clubes com uma Associação que não existe e que tem os votos que a totalidade das Associações… Temos por exemplo duas associações de árbitros, cada uma delas tem 2 votos, temos uma associação de treinadores que tem tantos votos como nós, 4 votos, depois a Associação de atletas com 21 votos. As associações não são as associações clubes? Então para que há uma associações de clubes? Penso que este governo deve ponderar e modificar a lei de bases e parece-me, pelo que se fala, que a alteração irá acontecer e que se regresse ao modelo anterior. O Gira Volei também tem crescido dentro da Associação, apesar das reticências iniciais ao projecto da FPV… Eu inicialmente não acreditei no gira volei, porque pensei que estava a ser criado para acabar com o minivoleibol mas acabou por ser o contrário com mais miúdos no minivoleibol. É impressionante o número de clubes que organizam os torneios, normalmente são 5/6 ao domingo de manhã, e a quantidade de miúdos que movimentamos, com o Mini B masculino e feminino e o Mini A, é muito interessante. A Associação também está no voleibol de praia, faz uma etapa do Nacional, mas faziam também o Regional de juniores, que entretanto acabou… Nós organizávamos o regional de juniores de praia com 3 etapas em que dávamos um prize-money aos miúdos e depois eram apuradas as 6 ou 8 primeiras para disputarem o Nacional em masculino e feminino com equipas de outras associações, no total de 12 para fazerem o quadro. Houve um ano em que só a AVP organizou um regional, com 3 etapas, e a FPV resolveu não fazer o nacional porque as outras associações não fizeram os regionais. Na última etapa constou-me que não havia nacional e foi dito pelo responsável que o 1º classificado do regional da associação seria o campeão nacional e depois a Direcção não respeitou isso e por tal motivo acabamos com o voleibol de praia para juniores. Fazemos a etapa no Canidelo com o Jorge Lopes (Gaya Volei) e com a Gaiamima, mas não sei se haverá este ano porque a Câmara não paga desde há 2/3 anos, com cartas e mais certas, mas enfim… Mas gostava muito do voleibol de praia com 6 como joguei, agora assim não me diz nada. Fazem ainda os cursos de Arbitragem…. Em Dezembro tivemos um curso com 24 candidatos, 4 eram de Braga e passaram todos. Rapaziada estupenda e já estão todos a apitar. Estamos nesta altura com sessenta e tal árbitros. Está a ser interessante, têm prazer em apitar Mas houve uma fase mais complicada, sem árbitros… Sim, mas são muitos jogos e quando temos jornadas duplas da I divisão, são 4 jogos no sábado e 4 no domingo são, sem contar com o 1º e 2º árbitro, 12 árbitros em cada dia e depois falta a formação. O passado o presente e o futuro … Para a modalidade, aquilo que nós conseguimos fazer na Associação, o trabalho que fizemos para o engrandecimento da modalidade. Quando peguei na associação ela estava praticamente parada, foi um período mau que o voleibol passou, quando a federação veio de lisboa, depois quando Engº Vieira Monteiro abandonou e houve aqui uma série de presidentes que não se portaram bem. Um deles, o Paulo Sá Machado, passados 2 anos destitui-o numa AG,(risos), inclusive fomos à televisão (mais risos) porque não apresentava contas… Depois queriam que eu fosse para a federação. O Dr. Araújo de Barros queria que eu fosse para a federação, o meu querido amigo Manuel Puga também queria que eu fosse, mas recusei sempre porque não tinha vida para ir para uma federação. Então quem tomou conta daquilo foi o Araújo de Barros, que esteve 1/2 anos mas depois incompatibilizou-se com o Director Técnico Nacional e pediu-me para deixar ir o Vicente ou o Teodomiro, e acabou por ir o Vicente. Entretanto houve eleições, ficou o Rolando Sousa, esteve muitos anos como presidente, o Vicente era o braço direito dele e depois chegou uma altura em que era incompatível, porque ele tinha a política. Propusemos o Vicente para Presidente e estamos bem, ele está muito conceituado a nível internacional. Ele com certeza vai ficar na próxima direcção, há dois candidatos, o Ary que é o presidente da CBV e se ganhar quer o Vivente com ele. Eu acho que o Vicente se poderia ter candidatado a presidente, mas para se candidatar tinha de abandonar isto. Para a Associação, gostava de encontrar uma pessoa, que continuasse o trabalho, porque a direcção diz que se eu sair também sai. Eu acho que o Marcelino Tavares poderia ficar à frente disto. Dentro em breve vai haver eleições, vamos ver. As pessoas pedem para ficar mais só mais 4 anos, mas isso foi o que aconteceu da última vez, não sei… Gostava de ver a nossa selecção no topo, já na Turquia perdemos porque foi indecente o que se passou, tive o prazer de estar em Guadalajara, (conquista da Liga europeia n.d.r.) e foi estupendo até porque os espanhóis já tinham tudo preparado para festejar a vitória! Infelizmente a selecção feminina não acompanha…
A selecção feminina não tem hipótese nenhuma, porque nós temos muitas atletas até às juvenis, chega-se a juniores e as meninas desistem, ou se vão para seniores, chegam as estrangeiras, encostam-nas e acabou. Temos ainda de reconhecer que o Miguel (Maia) e o João (Brenha)fizeram um trabalho estupendo, são de facto uma marca do voleibol, apesar de não terem conseguido nenhuma medalha mas continuam a ser idolatrados como a Rosa Mota. São muitas vezes chamados para estar em vários sítios, ainda agora o Filipe Menezes (presidente da CM VN Gaia) deu o nome a um pavilhão. Acho que a modalidade precisava se ser mais falada, quando tinha menos expressão era mais falado do que agora. O grande público que lê os jornais devia ter um espaço dedicado às modalidades amadoras, agora vem os resultados e nada mais, antigamente eram páginas e páginas. Eu tenho aí guardado muitos desses artigos. Outras entrevistas sovolei
Rogério Lopes - Treinador da AA Espinho 2011
Alexandre Afonso - Treinador da AJ Fonte do Bastardo 2010
Luís Vidal - Organizador do Lousã Summer Cup
Roberta Pereira da Silva - Atleta brasileira que actua na Liga espanhola depois da experiência em Portugal
Roberto Pimentel - Mentor do mini-volei no Brasill
Afonso Seixas - Treinador do CF "Os Belenenses" 2010
Manuel Almeida - Treinador do GC Santo Tirso 2010
Valdir Sequeira - Atleta internacional português do CoprAtlantide Piacenza 2010
Carlos Bizzochi - Treinador–adjunto de selecções brasileiras e de equipas de formação e seniores femininas e masculinas
José Pedrosa / Hugo Gaspar -Campeões Nacionais Voleibol de Praia 2009
Manuel Barbosa - Teinador do CA Trofa 2009
Sara Paranhos - Capitã do CA Trofa 2009Alessandro Chiappini - Treinador da Selecção Sénior Feminina da Turquia 2009
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Como ainda ninguém ousou responder-lhe, atrevo-me. Discretamente, dê uma espiadinha em www.procrie.com.br/PrezinoProcrie. Sem co... Ler mais
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