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Entrada Nacional Feminino II Div. ZONA 7: Um National Volleyball Center, por Luís Melo

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ZONA 7
Um National Volleyball Center
 
 
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O Voleibol está longe de ser o primeiro desporto no Reino Unido. Todos sabem que o desporto rei em terras de Sua Majestade é o futebol. Aliás, não podia ser de outra maneira, já que se diz mesmo que foram os ingleses que o inventaram.

Mas isto não invalida que todo os outros desportos sejam considerados. Aliás, sendo este o país em que o futebol é vivido com mais emoção e intensidade, surpreendeu-me pela positiva o destaque que é dado a vários outros desportos.

Há tempos, ao abrir um jornal generalista, reparei que a parte desportiva tinha 13 páginas e apenas 3 eram dedicadas ao futebol. Curiosamente eram as últimas. Antes disso vinha: Rugby, Golfe, Cavalos, Ténis, Automobilismo, Criquet, etc.

E cada desporto tinha direito a uma página inteira, com grandes fotografias e parangonas. Ora, o que vemos em Portugal? Em 13 páginas, 12 são sobre Futebol, desde a 1ª Liga até ao internacional, distritais e juniores. O resto é paisagem.

Nos jornais desportivos portugueses as modalidades são deixadas para o fim. São amalgamadas nas páginas sem grandes destaques e sem fotografias. Apenas se colocam os resultados. Não há qualquer tipo de trabalho jornalístico.

Obviamente que há excepções que confirmam a regra. E essas acontecem quando um (apenas um) determinado clube vence (sim, porque quando perde também ninguém fala), ou quando um patrocinador ou a modalidade (Federação) pagam a notícia.

Um exemplo flagrante é o Golfe. Esse desporto do povo tão praticado e apreciado em Portugal! De há uns tempos para cá tem direito a páginas inteiras nos jornais, e agora tem até um canal dedicado (SportTV Golfe). Deve ter imensa audiência.

Pois aqui no Reino Unido o Voleibol não é muito famoso e não tem muitos praticantes. Mas apesar disso, existem campeonatos bem organizados em todos os géneros e todos os escalões. Voleibol indoor, Voleibol de praia e Voleibol sentado.

E esta foi outra coisa que me surpreendeu, e que tenho a certeza que não aconteceria em Portugal. Onde está referido o Voleibol indoor e de praia, está também o sentado (para atletas deficientes). A importancia dada é a exactamente a mesma.

Ao chegar ao aeroporto deparei-me com as paredes pintadas com motivos Olímpicos, com fotos de atletas. E não, não eram fotos do Beckham ou do Rooney. Eram fotos de atletas de várias modalidades. Entre elas o Voleibol de praia e sentado.

Algo impossível de acontecer em Portugal. Apesar de o país ter modalidades em que claramente é dos melhores do mundo (como o Hóquei em Patins) parece que só existe Futebol, Cristiano Ronaldo e José Mourinho (sou apreciador de ambos).

No Reino Unido, se bem entendi, os desportos mais apreciados são o Futebol, o Ténis, a Fórmula 1, o Criquet, o Rugby, as Corridas de Cavalos (não necessáriamente por esta ordem) mas isso não impede que haja um National Volleyball Center.

É esta a grande diferença. As modalidades não são discriminadas. Há aposta e investimento, e há gente competente e interessada na sua gestão. Talvez por isso haja tantos atletas (femininos e masculinos) espalhados pelos melhores campeonatos.

Podem dizer-me que ainda assim as selecções não são fortes. A ver vamos nos JO Londres 2012. Duvido que façam pior figura que a nossa selecção feminina. Mas de qualquer forma o foco deve estar só na selecção? Ou também nos clubes e atletas?

Em Portugal, o Voleibol é a modalidade mais praticada logo a seguir ao Futebol. É mesmo a mais praticada pelas mulheres. E no entanto não se vê qualquer tipo de aposta ou investimento. E a culpa não é dos atletas, mas de quem a gere.

O Voleibol, por envolver centenas de milhares de pessoas, tem um potencial imenso em Portugal. E quem de direito, não está a conseguir potencializa-lo, porque pura e simplesmente não se interessa. Não é por falta de capacidades!

Dir-me-ão "Mas afinal de contas o que tu queres é a aposta numa espécie de National Volleyball Center? Tipo Saquarema no Brasil? E onde vais arranjar o dinheiro para o fazer?". Eu sei que o país atravessa uma situação complicada.

E também sei que um National Volleyball Center não resolvia tudo (garanto que ajudava). O que quero dizer é: E se em vez de 10 estádios de futebol tivessemos construido apenas 5... ou até 9? Podiam-se fazer muitos National [modalidade] Center!

 
Com isso ia não só ganhar a modalidade mas também os atletas, os técnicos, a sociedade, o país.
 
Luís Melo
 
 
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Comentários
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Um National Volleyball Center
sovolei Y-m-d H:i:s

Parabéns, Luís, pelo excelente artigo!

Brindou-nos a todos com sua visão ao destacar a importância que os ingleses
emprestam à prática desportiva. Percebo nas entrelinhas a preocupação em
assistir e prover os indivíduos de suas necessidades primárias, entre elas, o
direito ao lazer. Como citou o Brasil e o seu Center em Saquarema, penso que
aquilo é uma obra faraônica, imprestável para a sociedade e muito pouco
utilizada. Trata-se de um objeto para servir o ego de um só indivíduo,o seu
construtor.

Um National Volleyball Center
sovolei Y-m-d H:i:s

Por que Portugal não consegue potencializar o voleibol? Se não é por falta de
capacidades, por que seria? A resposta é óbvia. Todavia, há esperança de
mudanças: 1) a eleição do Ary Graça para a Fivb e a possível ida de seu
correligenário português a ocupar um cargo importante na hierarquia; 2)
entrevista do 1º Ministro Pedro Passos Coelho à revista Veja (www.veja.com), com
destaque para a privatização de empresas estatais (incl. TV); abertura ao
capital privado e concessões públicas. Objetivo: tirar o estado da economia, fim
do estado patrão, dono de empresas. Meu interesse pelas coisas portuguesas
continua, ganhei de presente o livro Portugal e a Revolução Global, de Martin
Page. "Como um dos menores países do mundo mudou a nossa história".
Além, é claro, do Código Cultural, de Clotaire Rapaille, tudo isto para entender
um povo tão simpático, mas não menos ensismemado.



Jorge Antunes Y-m-d H:i:s

A afirmação da modalidade passa muito pela capacidade da FPV em atrair marcas
fortes para patrocinar a modalidade, aproveitando as suas "máquinas" e o
seu poder de comunicação. Veja-se o caso do rugby com a CGD e a SuperBock, ou o
surf com a TMN e a GGD. Quem já não viu publicidade destas modalidades na tv,
nos jornais, nas revistas, nos outdoors, e magazines até na tv pública?
Como diz o Luís, a nossa imprensa só vive para o futebol, e isso é também, o
reflexo da nossa falta de cultura desportiva. Deixem-me só partilhar um facto:
um ano atrás, no dia seguinte à Final Feminina da Taça de Portugal, o Jornal de
Noticias(dos jornais com mais tiragem a nível nacional)ignorava por completo o
facto (para mais sendo feminino), mas informava os seus leitores que uma curva
do circuito brasileiro de Jacarepaguá,tinha sido alterada por ali ter ocorrido a
morte de um piloto numa corrida de camiões! Isto é critério jornalístico? Não....
luismelo Y-m-d H:i:s

Caros Roberto e Jorge,

Subscrevo tudo o que ambos dizem. Os vossos comentarios sao "na mouche"!
Nao podia estar mais de acordo. E o exemplo que o Jorge da, do JN, demonstra bem
que as nossas preocupacoes tem fundamento. Bem hajam por estarem neste grupo de
pessoas (no qual me incluo) que luta por divulgar e desenvolver o Voleibol em
Portugal.
Um National Volleyball Center
sovolei Y-m-d H:i:s

Sobre a Formação, isto é, métodos e medidas a adotar para que no futuro um país
possa desfrutar de melhorias no nível técnico e tornar-se competitivo nas
competições internacionais, percebo que não seria de bom alvitre simplesmente
copiar receitas de outras nações. A princípio parece-me um desrespeito à atuação
e competência de seus treinadores. No caso do Brasil, p.ex., toda a renovação
deve-se única e exclusivamente aos técnicos dos clubes/empresa e não à CBV. Esta
atua em complemento ao que se produz, isto é, cuida única e exclusivamente das
seleções nacionais. Para tanto, tem verbas e condições excepcionais há muito
tempo: dinheiro e organização é o que não falta. Mas volto a afirmar, ela não
atua na Formação e todo incentivo na área é proporcionado pelos clubes, com
patrocínio de empresas e até mesmo de prefeituras (em conjunto). (continua...)
Um National Volleyball Center
sovolei Y-m-d H:i:s

Um Modelo Português - Quanto à divulgação na mídia, também nos maiores centros
do Brasil pouco se lhe dá, exceto quando da disputa da Liga Nacional, gerida
agora pela maior emissora, a Tv Globo. Os campeonatos regionais são simplesmente
desprezados e não frequentados pelos grandes artífices, servindo à seleção
nacional, como é o caso atual. Vejam no Procrie as observações que faço ao final
do último artigo, "Melhores Professores, Mais Talentos (II)" a respeito
da metodologia (estratégia) na Formação. Por que não pensam a respeito e deixam
para lá a Federação e seus técnicos estrangeiros com os seus modelos? Este é um
trabalho de longo prazo, pensado, aferido e produzindo-se correções segundo seus
autores - vocês, portugueses. Afinal, o que estão a produzir: atletas para
serem treinados por estrangeiros segundo modelos de seus países? Dizemos no
Brasil, "estão colocando azeitonas nas empadas deles".
Capital social
sovolei Y-m-d H:i:s

Olá Roberto, como o Luís apontou, Portugal tem um problema muito grave a nível
cultural que a meu ver suplanta o económico.
Um país com tantos meios e tão desenvolvido tem condições para estar noutro
nível estrutural. A potencialização dos recursos é um grande problema, este é
causado pela sociedade.
Portugal tem um capital social negativo significativo, algo que aliado a
problemas burocráticos faz de nós uma sociedade reprimida e acanhada.
solução
sovolei Y-m-d H:i:s

Passa mesmo por aquilo que disse, cooperação entre o setor privado e as
instituições/clubes. Aqui em Portugal os clubes viviam em demasia do apoio das
câmaras (financeiro). É preciso criar parcerias e encontrar outros meios de
retorno. Os clubes esforçam-se, mas neste momento a abertura é pouca...
De tudo é preciso valorizar todo o tipo de redes que se tem criado graças a
sites como este e que ajudam à divulgação da modalidade
Um National Volleyball Center
sovolei Y-m-d H:i:s

Filipoli, chega-se à conclusão que a nação não está conseguindo potencializar
seus recursos, muito embora reúna condições intelectuais para tanto. Falta-lhe,
então, desvencilhar-se de uma cultura burocrática (eu diria paternalista), que
assegura aos seus "afiliados" suprimentos para tocarem a vida. Todavia,
o preço é alto, pois lhes tira toda espontaneidade e dinamismo e ocorre que
estão a transmitir às novas gerações todo este resquício. É a conclusão que
retiro das leituras do livro de Martin Page a que me referi bem acima sobre a
história de Portugal. Acabo de ler dois capítulos dedicados ao "guru da
economia da Universidade de Coimbra, o professor Oliveira Salazar", sua
chegada ao poder e suas relações com a sociedade. Começo a entender pequenos
detalhes e comportamentos da geração que vivenciou tamanha influência. Mais
espero compreender para entendê-los e, se possível, tornar-me também um dos
seus.
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